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O que Você Faria se Recebesse um Salário Vitalício Sem Trabalhar?
10 de julho de 2017 por Michael Alexsander
Pois bem, é possível, e o governo pretende te dar esse salário, se chama Renda Básica Universal, saiba mais...

Prego ser um felizardo por trabalhar com o que realmente satisfaz meu propósito em vida. Talvez eu nem considere trabalhar – meus clientes são prova disso, percebem meus olhos brilharem ao ultrapassar duas, até três horas pós contratado – pois não considero isso realmente como um trabalho, não o faço pelo dinheiro. Ninguém me obriga a fazê-lo. Mas eu gostaria de ver uma sociedade na qual cada um pudesse escolher livremente o trabalho que quer fazer. Gostaria de viver em uma sociedade na qual todos se sentissem como eu sinto.

No mês passado, Mark Zuckerberg discursou em Harvard, segundo ele não basta que as pessoas tenham vontade de realizar algo, empreender, investir num sonho. Todos precisam ter condições para sonhar e encontrar um propósito de vida. Um sentimento de que você é parte de algo maior do que você mesmo, você é necessário para "aquele todo maior" e você entende de fato, o motivo pelo qual trabalha. Isso é felicidade real. "Isso só é possível se todo cidadão tiver uma renda como apoio financeiro", disse Zuckerberg.

Zuckerberg discutiu a importância da Renda Básica Universal e citou seu próprio caso. Sem o apoio dos pais, nunca teria largado os estudos em Harvard para empreender no Facebook, sendo assim não existiria a maior plataforma de conexão social do mundo.

A Renda Básica Universal é a garantia de uma quantia mensal a ser paga a todo e qualquer cidadão do país e do mundo. O criador do Facebook ainda cita como é injusto que milhões de pessoas que poderiam alcançar resultados incríveis não o fazem por não terem essa segurança e reforçou que o mundo perde muito com isso.

A Renda Básica Universal já vem sendo proposta em outros países. Na França, todo cidadão receberia 850 euros. Na Holanda, existem 20 cidades que implementaram programas para aplicá-la. Na Finlândia, a Renda Básica já existe e já vem sendo implementada, o equivalente a R$ 1.920 por mês a 2.000 pessoas. O Canadá está prestes a adotar também. O objetivo inicial é saber o que as pessoas farão com esse valor mesmo estando empregados: vão ajudar outras pessoas, empreender, concluir projetos, gastar com bebidas e drogas?

Aqui no Brasil temos projetos similares sendo testados, em Maricá, cidade do Rio, tem sido implantado o cartão Mumbuca, uma espécie de moeda social. No meu ponto de vista, esse projeto em específico tem objetivos políticos deturpados, mas tem sido o que mais se aproxima do projeto realmente revolucionários proposto nos países citados.

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SERIA O FIM DO CAPITALISMO E A OPORTUNIDADE DO SOCIALISMO?

Definitivamente, não! Eu e o historiador holandês Rutger Bregman, diríamos que a Renda Básica Universal seria a maior conquista do capitalismo.

O ideal é que ela seja incondicional, o valor será distribuído pelo poder público de forma igualitária, não importando o nível social ou disposição para o trabalho de quem recebe, ou seja, crianças e adultos, pobres e ricos, empregados e desempregados, todos teriam direito ao mesmo valor.

Mas não se trata da distribuição de renda como prega o sistema socialista. Aqui no Brasil esse valor seria um investimento parcialmente financiado pela substituição de programas de subsídios mal fiscalizados, como Seguro Desemprego, Minha Casa Minha Vida e Bolsa Família. Ahh... até mesmo a loteria pode contribuir sabia?!

Repito, a renda básica é um investimento. Há várias demonstrações científicas provando que a pobreza é algo que custa caro, gera mais delinquência, aumento da criminalidade, resultados acadêmicos insatisfatórios, doenças mentais... Em fim, é mais sensato, e muito mais econômico erradicar a pobreza do que combater os sintomas que ela causa.

Criticam a possibilidade de que a renda básica seja usada para compra de bebida alcoólica, drogas e prostituição, mas já houve experiências no passado que deram certo em outros países, devemos replica-las com as devidas adaptações culturais brasileiras. Pesquisas em experimentos mostram que é mais econômico, além de surtirem melhores efeitos sociais, dar o dinheiro diretamente a quem precisa dele do que usa-lo para custear o trâmite dos programas de subsídio: funcionários públicos, burocracia e fiscalização.

Claro que implementar a Renda Básica Universal no Brasil, por si só não basta para a utópica erradicação da pobreza. Uma série de medidas na política publica devem complementar o projeto, incluindo a redução da jornada de trabalho, a revisão do orçamento público e o investimento maciço na educação básica. Quando digo "maciço", é "maciço" de verdade, até mesmo em detrimento aos percentuais de investimento em saúde, segurança e saneamento. Que comecem os mi-mi-mis!

 

A HIERARQUIA DE NECESSIDADES DE MASLOW

Acho importante enxergar o projeto da Renda Básica Universal por outro lado, além dos números, finanças, economia e política. Antes de criticar o que cada indivíduo faria com sua "mesada vitalícia", vale lembrar que somos livres e responsáveis por nossas próprias vidas. Se me julgam por não saber o que fazer com meu dinheiro, devem me dar educação quando criança, para que eu tenha condições de fazer escolhas saudáveis quando adulto.

A famosa Pirâmide de Maslow, baseia-se na ideia de que cada ser humano esforça-se muito para satisfazer suas necessidades. É um esquema que apresenta uma divisão hierárquica em que as necessidades consideradas de nível mais baixo devem ser satisfeitas antes das necessidades de nível mais alto, portanto, cada indivíduo deve realizar uma "escalada" hierárquica de necessidades para atingir a plena auto-realização. Ahh... vale ressaltar, essa última é inatingível, falaremos mais sobre isso num futuro post.

Maslow detalha como necessidades Básicas: as fisiológicas e as de segurança. Já as necessidades Secundárias são: as sociais, estima e auto-realização. Nesse contexto, a Renda Básica Universal, em conjunto à educação básica daria ao ser humano a condição de custear suas próprias necessidades fisiológicas e de segurança. Deixando à cargo das necessidades Secundárias a motivação ao trabalho e conseguinte auto-realização. Nesse nível já se tem provas que o ser humano não busca apenas realização individual, o coletivo é o objetivo maior.

Para alcançar uma nova etapa, a anterior deve estar satisfeita, ao menos parcialmente. Isto se dá uma vez que, quando uma etapa está satisfeita ela deixa de ser o elemento motivador do comportamento do ser, fazendo com que outra necessidade tenha destaque como motivação. Os primeiros níveis destas necessidades (manter-se vivo, respirar, comer, descansar, beber, dormir, ter relações sexuais e sentir-se seguro) são satisfeitos por aspectos externos ao ser humano, e não apenas por sua vontade.

O indivíduo será sempre motivado pelas necessidades que se apresentarem mais importantes para ele. Muitos dos problemas de hoje já teriam sido solucionados se toda capacidade humana fosse utilizada. A Renda Básica Universal é justamente uma defesa da capacidade humana. A humanidade já evoluiu muito nos últimos anos e precisamos promover subsídios para que continue evoluindo.

 

O QUE O MUNDO GANHA COM A RENDA BÁSICA UNIVERSAL?

Sim, acreditem, em minha primeira palestra sobre o assunto, fui confrontado com tal pergunta. Embora a resposta "A erradicação da pobreza", já fosse uma resposta extremamente satisfatória, completei com nuances:

  1. Desburocratização da pobreza: Sim, ser pobre no Brasil é muito burocrático. Ser subsidiado pelos programas sociais do governo brasileiro não é tarefa fácil não, além de não estar ao alcance de todos que necessitam. A complexidade dos projetos junto à falta de educação e informação dos beneficiados e funcionários públicos responsáveis são os maiores empecilhos. A Renda Básica Universal seria a sintetização de dezenas de subprogramas que mais servem de propaganda eleitoral.

O custo logístico e administrativo da Renda Básica Universal é reduzido. Acaba-se com a burocracia de comprovação de pobreza: gastos com fiscalização, cadastramento e possíveis fraudes. Contorna todas as falhas na distribuição de pessoas que usufruem o benefício sem precisar, prejudicando o acesso das pessoas que mais precisam.

  1. Equidade: Um recém desempregado recebe o auxílio desemprego, o desempregado a mais tempo não recebe. Uma família pobre com filhos recebe o bolsa família por unidade de filhos, um casal pobre sem filhos não recebe. Um pobre empregado tem direito ao Minha Casa Minha Vida, o pobre desempregado não tem. O jovem pobre pode ser subsidiado por programas de educação, inclusive em outros países, o velho pobre não pode. A família pobre com pai detento tem auxílio detenção, a família pobre com pai trabalhador não tem.

Em fim, o caráter universal, incondicional e individualizando da Renda Básica Universal desconsidera tudo isso, uma vez que não importa o nível social, a disposição para o trabalho ou a idade do beneficiário, crianças e adultos, pobres e ricos, empregados e desempregados, estudantes ou não, com filhos ou sem, todos teriam direito ao mesmo valor.

  1. Maior responsabilidade no uso do benefício: "Ninguém sabe usar melhor o seu dinheiro do que cada pessoa", diz o liberalismo criticando um Estado que gasta o dinheiro público de forma descomprometida, generalizando as necessidades do cidadão. O Brasileiro buscaria uma melhor educação, principalmente a educação financeira se ele tivesse as rédeas do próprio dinheiro. O dinheiro dispendido pelo estado seria mais bem gasto se o beneficiário tivesse a liberdade de escolher o que é mais importante para si.

  2. Não desestimula a procura por trabalho: Os programas sociais de subsídio básico geram as armadilhas da pobreza e do desemprego vitalício. Quem recebe do governo com a justificativa de que é pobre, é desestimulado a procurar um emprego e melhorar de vida, uma vez que empregado formalmente, perde a garantia de seus subsídios básicos. A busca do emprego formal é o mais afetado, estimulando outras formas de aquisição de renda, como o mercado informal e até mesmo as atividades ilícitas.

  3. Recompensa outras formas de trabalho, como o voluntariado e as donas de casa: Muitas atividades não são reconhecidos pelo mercado e nem pelo estado. Mães que passam o dia cuidando da formação dos filhos como donas-de-casa, não têm direito a renda - acabam se tornarem dependentes de seus maridos. Pessoas que não podem trabalhar, por cuidarem de parentes, com velhice e doenças crónicas. O voluntariado e as atividades cívicas , embora não contempladas pela iniciativa privada e poder público, são vitais para a democracia. - Trecho adaptado da wikipedia.

  4. Incentiva a busca pelo melhor emprego: A relação entre patrão e empregado pode atingir altos níveis de submissão. Muitas vezes o trabalhador é levado a aceitar condições humilhantes de trabalho porque depende do que recebe pela mão de obra para garantir sua integridade física. A Renda Básica Universal é a melhor forma de libertar o cidadão do emprego degradante e das condições desumanas de trabalho. - Trecho adaptado da wikipedia.

  5. Incentiva o Empreendedorismo e os grandes feitos: Eu tive boas oportunidades para estudar e iniciar meus empreendimentos e, inclusive, o apoio da minha família nos meus vários erros e fracassos. Mas muitas das mentes criativas do Brasil e do mundo não contam com a mesma sorte. Por isso, o projeto Renda Básica Universal é importante e precisa ser cada vez mais discutido, pois assim como eu, uma vez assegurados de suas necessidades básicas, todo cidadão será livre para empreender, errar e fracassar quantas vezes forem necessárias em busca de seus sonhos.

Para iniciar sua educação financeira pessoal e estar preparado para administrar sua Renda Básica Universal - quando ela for liberada - recomendo começar por aqui ou já pode ir direto ao dignóstico gratuito. Diga-me também, o que faria com seus R$ 1.920 todo mês depositado em sua conta incondicionalmente? Escreva nos comentários.



Michael Alexsander
Michael Alexsander
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Empreendedor Serial, Bacharel em Administração e MBA Executivo em Gestão de Custos pela PUC-MG. Educador Financeiro e Sócio-fundador do Dr.Money, plataforma de consultoria financeira pessoal completa e 100% online.


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